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Saúde e Comportamento com Diego Vieira

22/07/2019 às 07:16

Por que é feio?

 
"É que narciso acha feio o que não é espelho!" Afirma o mito grego. Particularmente ojerizava Narciso pois parecia sinônimo de vaidade. Hoje, percebo que narciso reflete a dificuldade que temos de sair de nossa caixinha, de nossa visão de mundo, de nosso egocentrismo.

Narciso, na verdade, representa a oposição natural que fazemos ao diferente, mesmo quando este diferente funciona. Pois, tendemos por economia de esforço a tomar um caminho e sermos relutantes em ver que outros caminhos também conduzem-nos para o mesmo lugar.

Quando estamos diante de uma proposta diferente, um estilo de vida que não é o nosso, acontece mais ou menos o que ocorre conosco quando fazemos sempre o mesmo percurso para chegar a um determinado destino e achamos muito estranho quando tomamos um outro. Certos espectros autistas são muito relutantes a qualquer mudança, mas todos nós, de forma geral, temos muita resistência a mudar. Mudar significa que teremos que fazer esforço e a natureza nos programou para economizarmos energia. Por isso o sentimento que temos diante de algo diferente é de que é feio ou perigoso, principalmente se não parecer trazer benefícios.

Feio, então, é uma forma que o sistema encontrou para dizer: cuidado pode ser perigoso. Por esse motivo a regra muda se demontrar nos trazer benefícios, mesmo que seja diferente. Todavia, se for um outro que apenas vive a vida dele diferente da nossa, nós naturalmente não gostamos. E teremos muito mais tendência a rejeitar se for um diferente que parece ameaçar o nosso modelo. Por essa razão mulheres casadas tentam criticar as solteiras como vulgares e as solteiras criticam as casadas chamando-as de submissas ou pondo-lhes defeitos.

É, não é fácil viver! Vai ter gente lhe pondo defeitos somente por você viver e não ser igual a eles. "Veja aquela, é casada e o marido vive traindo, eu que não quero casar nunca!" "Olha aquela outra, o marido parece um banana obediente!" Parece-me haver muito incômodo com o outro, mas esse incômodo não é gratuito ele é protetivo e visa minimizar gastos energéticos. Por isso devemos educar as pessoas a terem disposição de encarar o que parece desafiador desde que seja funcional. Assim como também devemos educar para questionar sobre o feio e o belo.

Atualmente muito se tem discutido sobre modelos de família e qual deve ser o modelo aceito como válido. As razões da rejeição dos modelos que não se enquadram na forma papai e mamãe tem haver com o medo da mudança, o medo daquilo que as pessoas estão acostumadas. Todavia, nas diferentes discussões e modelos de família apresentados excluiram dois modelos muito antigos: os poligínicos e poliândricos. O poligínico é um modelo presente na bíblia, na cultura ancestral de praticamente todos os povos e ainda é praticado pelos povos mulçumanos, grupos indígenas, culturas orientais e africanas. Por que um modelo tão antigo e tão presente é tão esquecido e excluído? A razão é simples: narciso acha feio o que não é espelho. Este modelo parece acabar por completo o mundinho cor de rosa dos romances baratos em que as pessoas estão sendo formadas pelos sistemas de massa.

Fica difícil enxergar que o diferente é possível e pode funcionar melhor do que o caminho que você está acostumado a tomar para ir ao trabalho.

É muito feio quando algo é feio simplesmente por não ser igual a você!

Assim eu aprendi, assim eu conto para vocês!

Gérson Alves
Professor de Psiconeurobiologia da Universidade Federal de Alagoas

 

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