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Saúde e Comportamento com Diego Vieira

26/07/2018 às 07:54

Por que insistir em relacionamentos ruins?

 
Ao ler o título desse artigo, talvez o leitor possa ter se lembrado de pessoas que por vezes pouco tem contribuído para sua qualidade de vida emocional, ou até mesmo lembrou-se de um amigo ou amiga que passa por situações como essas e que algumas vezes já tentou conversar com a pessoa e conscientizá-la do mal que estava fazendo para ela mesma. Na atualidade, comumente vemos uma ânsia das pessoas por optarem por continuar em relacionamentos abusivos, pouco produtivos, sem perspectiva de dar certo, com pouco envolvimento emocional e baixa empatia a dois. Hoje as pessoas sempre amam umas mais que as outras e investem mais no relacionamento do que seus parceiros. Acabam ficando com alguém a todo custo e se veem alimentando relações pouco saudáveis, se machucando e procrastinando o fim da relação. Por que isso acontece?

Há muitas variáveis a serem consideradas quando falamos do comportamento amoroso, entre elas os estímulos antecedentes e consequentes de cada pessoa que emite esse tipo de comportamento; mas para simplificar, falo de pessoas que por algum motivo anterior, se veem precisando estar com alguém em um relacionamento, entre estes motivos está o de viver numa sociedade e rodeada por amigos que estão namorando e promovem a ideia de que “quem está solteiro, não é atraente, porque pessoas atraentes estão sempre namorando”, outra variável antecedente comum é “passei muito tempo sem namorar e agora que estou namorando, farei de tudo pra manter”, são inúmeras as estimulações que motivam alguém a iniciar uma relação amorosa e todas estão ligadas as relações que o sujeito estabelece com o ambiente. Então da mesma forma que alguns amigos podem nos influenciar a estar numa relação, nós podemos estar tendo contato com outros estímulos que favorecem a necessidade de estar com alguém. Por outro lado, quando falamos de variáveis consequentes estamos falando nos ganhos que as pessoas têm em estarem namorando alguém, por mais que a relação seja desajustada; isso acontece, por exemplo quando o casal está tão ligado um ao outro que a separação, terá efeitos negativos socialmente considerando um status que cada um já tem. Variáveis que se relacionam a crenças de que “se eu me separar, não encontrei outro como ele” ou até mesmo filhos envolvidos na relação ou relações familiares pesam muito na hora de avaliar se valerá a pena abrir mão da relação.

Analisando de modo mais técnico o caso em questão, podemos considerar que as pessoas insistem em relações ruins por serem reforçadas negativamente (o comportamento de continuar aumenta à medida em que rejeição social surge), e positivamente (o comportamento de continuar aumenta à medida em que a pessoa ganha certo status social). Isso significa dizer que não existirá relações totalmente ruins, no sentido de as pessoas saírem da situação. Se estão na relação, significa dizer que há algum benefício para aquele que emite comportamentos de manutenção. Seja na eliminação de situações aversivas, seja no ganho de situações prazerosas, pois “todo comportamento só se mantém se estiver sendo reforçado.” Se não há reforço, não há emissão comportamental e B.F. Skinner já falava sobre isso em 1953.

Em meio a isso caro leitor, não há alternativa mais fortalecedora do que optar por aquilo que tem interesse, por mais que haja algum sofrimento a curto prazo. É importante enfatizar que a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional. Claro que sair de uma relação é doloroso, mas continuar alimentando “falsas esperanças” numa relação complicada não é fortalecedor no sentido de promoção de um relacionamento saudável. Saber dizer NÃO é uma necessidade e certas situações exigem seu posicionamento para dar fim ao que já está claro que não dará certo; ao dar fim a relação, você estará se ajudando no sentido de ter habilidades para resolução de conflitos e aprenderá que não vale a pena investir em algo que não terá retorno, isso vale para todas as esferas de sua vida, inclusive no investimento em uma outra relação. Aceitar quando não dá mais certo ou ter posicionamento de acabar com uma relação ruim são virtudes que fortalecem comportamentos assertivos das pessoas.

Diego Vieira
@psicodiegovieira
Psicólogo Comportamental CRP 15/4764
 

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