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Alagoas

gazetaweb

11/02/2020 às 06:24

Corpo de Jeferson Morais é velado na Assembleia Legislativa de Alagoas

Sepultamento está marcado para esta terça-feira, às 14 horas, no Memorial Parque Maceió 

(Créditos de imagem: Ailton Cruz)

O corpo do radialista, jornalista e ex-deputado Jeferson Morais, de 58 anos, está sendo velado nesta segunda-feira (10), no salão da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE). O sepultamento está marcado para esta terça-feira (11), às 14 horas, no Memorial Parque Maceió, situado no Benedito Bentes.

A morte de Jeferson Morais nas primeiras horas da manhã desta segunda-feira, pôs fim a história de um dos remanescentes do jornalismo policial que era praticado na década de 1980. Os textos considerados "românticos" para os dias atuais eram carregados de adjetivos e, quase sempre, opiniões com relatos de personagens, fossem eles vítimas ou suspeitos. A apuração nem sempre levava em conta a atual estrutura formal da notícia e se baseava nas fontes oficiais.

Polêmico, nos últimos anos fez oposição à atuação do Conselho Estadual de Segurança (Conseg), a quem dizia ser um empecilho para a atuação policial, já que os policiais estavam com medo das punições. "Sou radicalmente contra porque está engessando o combate a violência e o preço disso vamos colher no futuro", disse numa de suas polêmicas entrevistas.

Há duas semanas o estado de saúde do ex-deputado se agravou. Antes de ser trazido para Maceió, estava num pequeno hospital na cidade de Junqueiro. Foi o secretário de Saúde de Maceió, José Thomaz Nonô, quem descobriu sua situação e providenciou sua transferência para um dos hospitais ligados à Santa Casa de Misericórdia.
Até o momento não se sabia o que lhe causava dores na região da barriga e nas costas. Exames mais detalhados apontaram a existência de um tumor maligno no pâncreas. Na semana passada, porém, antes mesmo de iniciar a quimioterapia foi confirmado que já havia metástase no fígado.

Por conta do avanço da doença, Jeferson Morais se encontrava muito debilitado e se alimentava com a ajuda da esposa. As dores aumentaram no final de semana e lhe provocaram falta de ar, já que o tumor passou a comprimir o diafragma. Por conta disso, acabou transferido para uma unidade avançada, mas não resistiu ao câncer no pâncreas, um dos mais agressivos.

FAMÍLIA

O único irmão do comunicador, Joel Moraes, explicou que o sofrimento nas última 72h havia aumentado bastante, já que ele estava com dificuldades para se alimentar. Com o diagnóstico fechado de câncer, ele chegou a ser submetido aos preparativos para fazer quimioterapia, mas apresentou complicações. Ontem, diante da comoção e homenagens de fãs e amigos, ele deixou claro que gostaria que o irmão fosse lembrado como uma pessoa do povo, que usou sua capacidade de comunicação para ajudar a quem podia.

"Quero agradecer a todos pelo carinho que estão demonstrando. Jeferson veio do povo, das camadas mais humildes, tornou-se voz de grande parte da população. Tanto no rádio, quanto na TV ele transmitiu para as pessoas aquilo que acontecia em algumas partes da cidade e que ficava esquecido ali naquele cantinho: periferias e grotas. Ele transmitia isso para a grande população. Veio do povo e se transformou voz do povo. A política foi decorrência disso. Ele teve um trabalho importante, mas foi para o povo o qual ele nunca deixou de ser parte", disse Joel.
O deputado estadual Yvan Beltrão (PSD) destacou a capacidade de liderança do apresentador e, principalmente, como soube transformar isso em apelo político. Ele também falou da tristeza da perda do talento que saiu da TV para o parlamento.

"Uma grande pessoa, um grande jornalista e um grande político. Quem conheceu ele sabe da amizade que tinha por todos. Criou os filhos muito bem e foi um grande pai e um grande amigo. Ele deixa um legado para o jornalismo de Alagoas. Foi um grande político e trabalhou muito por esse estado. A população alagoana está de luto por perder um grande homem como esse", disse.

O líder do governo na ALE, deputado Sílvio Camelo (PV), lembrou da última conversa que teve com Jeferson há sessenta dais atrás. Segundo lembrou, ele falou de projetos ligados a comunicação, sem descartar a atividade política. "Tive com ele e estava muito alegre e falando e conversando, demonstrando muita atividade. E nesse momento o que podemos fazer é rezar a Deus por ele para que tenha um bom lugar. E que lá possa continuar fazendo comunicação com outros que também já partiram para outro plano", enfatizou Camelo.

O advogado Pedro Montenegro, do Centro de Estudos da Criança e do Adolescente (CEDECA), militante ativo dos Direitos Humanos no Estado, fez questão de também comparecer ao velório do comunicador. "Tínhamos nossas divergências, mas posso dizer que perdi um amigo pessoal. Era uma pessoa com quem tínhamos uma convivência muito respeitosa e merece todas as homenagens", destacou Montenegro. 

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